quinta-feira, 30 de junho de 2011

Os mercados e a excelência humana



27 de Junho de 2011 - por Steven Horwitz

Um dos sentimentos mais maravilhosos que experimento é a minha reação a estar na presença da excelência humana. Uma combinação de satisfação e admiração toma conta de mim quando assisto a pessoas que são realmente boas no que fazem. Para mim, essa reação é particularmente associada aos esportes e à música. Assistir a grandes atletas fazendo suas jogadas é simplesmente um dos meus maiores prazeres e o mesmo ocorre quando escuto grandes músicos fazerem o seu trabalho.

É tentador associar excelência aos atletas e músicos internacionalmente famosos e pensar que ela acontece apenas no palco, no campo ou na pista. Felizmente, há diversas formas de excelência ao nosso redor. Além disso, essas variedades de excelência se tornam possíveis, em grande parte, graças à economia de mercado. Os mercados democratizam a excelência humana proporcionando a mais pessoas mais oportunidades de alcançá-la e, desta manera, de melhorar a vida de todos.

Desejo secreto

Aqueles que me conhecem bem sabem que tenho paixão por comida de diner, principalmente cafés-da-manhã, e tenho um desejo secreto de ser cozinheiro de um desses lugares. No meu caminho para o aeroporto, na semana passada, parei para tomar café-da-manhã em um desses restaurantes. Eu havia comido lá uma vez, mas não café-da-manhã, e após passar de carro por lá por quase 22 anos, eu finalmente decidi parar mais uma vez.

Consegui um lugar no balcão, de onde pude ver a comida sendo preparada na chapa. Após alguns minutos, percebi que estava na presença da excelência. Assistir esse sujeito preparando cafés-da-manhã despertou em mim exatamente a mesma reação que tenho diante de grandes atletas e músicos. A sua habilidade de se manter focado em múltiplos pedidos e acertar o tempo das panquecas, dos ovos e do bacon — tudo isso com uma economia de movimentos similar à dos grandes atletas e músicos — era de tirar o fôlego.

E como os grandes atletas e músicos, isso não era apenas habilidade física. Fazer o que ele estava fazendo, com tamanha precisão e rapidez, exige enorme concentração e habilidade de executar mútiplos processos mentais de uma só vez. Esse tipo de excelência exige total empenho e integração de mente e corpo. Neil Peart certa vez comparou tocar três horas de rock complexo na bateria a correr uma maratona enquanto resolvendo problemas complexos de cálculo na cabeça. O mesmo é verdade a respeito de jogadores julgando ângulos no rink de hockey ou na quadra de basquete. Se eu não tivesse um voo para pegar, eu teria ficado lá o dia inteiro assistindo ele trabalhar.

Aberto a todos

Como aquele cozinheiro, milhões de pessoas alcançam a excelência diariamente, cada um à sua própria maneira e do seu próprio canto do mercado. A excelência não é aberta apenas a alguns, mas é possível a todos. O mercado torna isso mais suscetível por dois motivos.

O primeiro foi identificado por Adam Smith: a divisão do trabalho em um processo de produção torna cada trabalhador mais produtivo no que faz. Focando-se apenas na chapa ao invés de também se preocupar em servir os clientes ou preparar os ingredientes, o cozinheiro é capaz de se tornar cada vez melhor no que faz. Quanto mais alto for esse grau de especialização, maiores são as melhorias resultantes.

Segundo, o mercado vincula melhoria de habilidade ao papel que os lucros exercem gerando incentivos e conhecimento necessários para servir bem o consumidor. A necessidade de produzir boa comida rapidamente e a habilidade de julgar o sucesso através do cálculo de lucros e prejuízos contribui para a conquista da excelência. Há uma razão para que ela seja mais comum no setor privado e não no setor público.

Enquanto nem todas as formas de excelência geram salários como os dos dos atletas e músicos, cada forma de excelência serve a outras pessoas da sua própria maneira, e por causa da mágica da vantagem comparativa, traz alguma recompensa no ambiente do mercado. A excelência está em todo lugar ao nosso redor. Nós apenas precisamos reservar tempo para apreciá-la.

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