terça-feira, 8 de maio de 2012

Por que os governantes fazem bobagens?

27 de Junho de 2011 - por Alexandre Barros

Essa pergunta sempre me intrigou. Por mais que eu haja ouvido na vida que governantes eram incompetentes, sempre me sobrava uma dúvida. Mas se chegaram lá, alguma competência eles hão de ter.
1. Governantes só falam com seus puxa-sacos ou com quem os puxa-sacos deixam que eles falem.

2. Ninguém chega a falar com uma autoridade se os assessores não deixarem.

4. Quase ninguém vai falar com uma autoridade à toa, sem ter o que pedir. No mínimo nomeação, promoção, remoção, isenção ou ajudão.

5. Corolário, se depende da boa vontade da autoridade, quando inquirido pela autoridade vai dizer que a governação está uma maravilha. Se houver algum “senão”, será na área de interesse do visitante, e será algo que o visitante minimizará dizendo à autoridade que seu problema é simples e pode ser resolvido com uma penada, ou com um pouco de boa vontade do ministro tal ou qual.

6. Mas, e os jornais? Autoridades não leem jornais? Em geral não. Quando muito, leem um jornal da sua core partidaria e um periódico de circulação nacional (jornal de angola). Afora isso leem resumos da imprensa preparados por assessores para os olhos das autoridades, ou ouvem assessores contarem a eles em reuniões quais são as notícias. alguem dizia que “quem contava um conto, aumentava um ponto”. Na burocracia quem conta três contos contra o governo, desconta nove pontos.

Conta-se que a Reginaldo Silva foi visitar JES e, na saída da “audiência”  disse ao presidente que seu jornal ia fazer uma oposição moderada ao governo, ao que o presidente teria respondido: “Que oposição, minha senhora? Eu quero mesmo é elogio”. Si non é vero é benne trovatto.

Mas presumamos que as autoridades leiam jornais, com todo o interesse e lisura, será que eles não percebem o que leram?

Percebem, é claro. Contou-me um amigo que já trabalhou na cidade alta a 9 anos ele diz que o problema não é a leitura, mas com quem eles conversam.

Autoridades só conversam com assessores cuja tarefa é tornar sua vida confortável e livre de tensões. Assessores barram os chatos e são excelentes amortecedores de más notícias, sejam elas impressas, radiofônicas ou televisivas.

E os vilões nas conversas dos assessores com as autoridades são sempre os mesmos. Contou-me o meu amigo palaciano: são as famílias ou grupos donos de jornais e televisões que estão com alguma má intenção e publicaram a notícia como uma forma de chantagear o governo ou a autoridade. Prossegue o meu amigo palaciano, “depois de três meses de ler más notícias e de ouvir dos assessores que tudo não passa de uma conspiração de interesses para minar a autoridade do governante, existem duas alternativas. Ou a autoridade para de ler ou se continua a ler, para de pedir a opinião dos assessores porque não quer fazer o papel de bobo”.

adaptado a realidade de Angola

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